Home‎ > ‎

Profa. Dra. LILIAN ZIEGER recebe prêmio Cecília Meireles/2013

    No dia 06 de abril de 2013, em Itabira/Minas Gerais, a Profa. Dra. Lilian Zieger recebeu o Troféu Cecília Meireles, entregue a mulheres que se destacaram em diversas áreas do conhecimento no país no ano de 2012. Foi uma grande emoção, pois receber o reconhecimento pelo esforço dispensado, com tanto trabalho e dedicação, representa muito em sua caminhada de vida. Num país ainda considerado machista, conquistar espaços como educadora e escritora residente fora do eixo RJ/SP significa ultrapassar barreiras e acreditar sempre que é possível vencer!
O evento foi organizado pelo jornalista Eustáquio Félix, que o faz há quinze anos, com eficiência e organização impecável. A festa foi belíssima, com oferecimento de excelente coquetel e uma apresentação fantástica do grupo Alta Dimensão Banda Show. A escritora deixa aqui registrados seus elogios, pois foi uma solenidade sem críticas a fazer!
Lilian Zieger esteve acompanhada pela sua secretária, acadêmica em Psicologia, Glaucia Pereira. De forma especial, agradece ao Prefeito de Itabira, Sr. Damon Lázaro de Sena e esposa pela bela acolhida na cidade de Itabira/Terra de Carlos Drummond de Andrade! 

Apresentamos, a seguir, alguns versos de Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e de Lilian Zieger, para quem parecia a poesia!




De Cecília Meireles
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
(Poema sem título)
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
(De Lua Adversa)

De Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei de que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
José
E agora, José? 
A festa acabou, 
a luz apagou, 
o povo sumiu, 
a noite esfriou, 
e agora, José? 
e agora, Você? 
Você que é sem nome, 
que zomba dos outros, 
Você que faz versos, 
que ama, protesta? 
e agora, José?
 
Está sem mulher, 
está sem discurso, 
está sem carinho, 
já não pode beber, 
já não pode fumar, 
cuspir já não pode, 
a noite esfriou, 
o dia não veio, 
o bonde não veio, 
o riso não veio, 
não veio a utopia 
e tudo acabou 
e tudo fugiu 
e tudo mofou, 
e agora, José?
 
E agora, José? 
sua doce palavra, 
seu instante de febre, 
sua gula e jejum, 
sua biblioteca, 
sua lavra de ouro, 
seu terno de vidro, 
sua incoerência, 
seu ódio, - e agora?
 
Com a chave na mão 
quer abrir a porta, 
não existe porta; 
quer morrer no mar, 
mas o mar secou; 
quer ir para Minas, 
Minas não há mais. 
José, e agora?
 
Se você gritasse, 
se você gemesse, 
se você tocasse, 
a valsa vienense, 
se você dormisse, 
se você cansasse, 
se você morresse... 
Mas você não morre, 
você é duro, José!
 
Sozinho no escuro 
qual bicho-do-mato, 
sem teogonia, 
sem parede nua 
para se encostar, 
sem cavalo preto 
que fuja do galope, 
você marcha, José! 
José, para onde?

De Lilian Zieger
Minh ’alma visita a Lua,
Em noite estrelada.
Pincela versos no ar,
De madrugadas e esquinas.

Percebe sonhos entre nuvens,
Suspiros e esperas,
Viaja pelos ares,
Na busca de sentidos.

Viver é longa estrada,
Recheada de abraços e sorrisos.
É caminho de rios e pedras,
Lágrimas e solidão.

Viver tem encruzilhadas,
Decisões e acertos,
Erros e superação,
Sem perder nunca, 
A capacidade do perdão.